Empresas digitais e TI autônoma são o futuro do setor financeiro?

Nós examinamos como a COVID-19 está afetando o setor de serviços financeiros

Uma reestruturação e reflexão sobre como construir uma infraestrutura de TI autônoma que possa funcionar, gerenciar e regenerar a si própria durante uma pandemia como esta será absolutamente necessário para uma futura resiliência.

A pandemia de COVID-19 causou um enorme impacto em muitos setores, com alguns provando ser muito mais resilientes do que outros. Com fechamentos de escritórios e lojas e as medidas de distanciamento social em vigor pelo futuro próximo, organizações ao redor do mundo estão tendo que repensar completamente a maneira como fazem negócios, agora e no futuro.

Para o setor de serviços financeiros (FSI), haverá algumas mudanças significativas pela frente, com a automação provavelmente emergindo como uma tendência chave. Entre muitos setores, empresas digitais são apoiadas por alguma forma de automação de processos de negócios. Em empresas de FSI, a automação já é utilizada de forma significativa, mais comumente sob a forma de Automação de Processos Robóticos (RPA). Agora, porém, a automação está prestes a exercer um papel muito maior no setor de FSI, apoiando uma força de trabalho remota com TI autônoma.

Após muitos anos de conversas e debates, a força de trabalho digital é uma realidade em 2020. Pense sobre a colaboração digital, conferências de vídeo são o novo normal, já que salas de reuniões estão vazias no mundo inteiro. E menos restrições de localização significam que as pessoas podem trabalhar de qualquer lugar, e o fazem. Um artigo recente da Finextra* intitulado "O hub da WFH veio para ficar" citou o exemplo do banco e prestador de serviços financeiros Westpac*, que transferiu sua força de trabalho de 22.000 funcionários para casa "dentro de dias", agora descreve o trabalho em casa como uma "parte viável e importante da nossa estratégia de local de trabalho". O Danske Bank* fez algo semelhante com sua equipe de 19.000 funcionários e diz que a transição terá um "impacto duradouro em como o trabalho é estruturado e conduzido".

Para apoiar a força de trabalho digital, instituições financeiras estarão buscando maneiras de incorporar automação às suas infraestruturas de TI. "Esse conceito de TI autônoma significa que a infraestrutura pode operar, reparar e regenerar a si própria de maneira muito mais rápida do que a infraestrutura tradicional, graças às capacidades de automação integradas", diz Parviz Peiravi, CTO Global/Engenheiro Chefe do Setor de Serviços Financeiros da Intel. "Além disso, pode ser gerenciada remotamente sem a necessidade de ter equipes de TI no local".

Atualmente, recursos são frequentemente distribuídos ao redor do globo para que, mesmo se houver um evento disruptivo como um terremoto em um local, o trabalho possa ser continuado em outras áreas e países. No entanto, quando o incidente é mundial, como uma pandemia global, essa abordagem falha, especialmente em países onde as capacidades de acesso remoto são limitadas. Apesar de ainda estar em seus primeiros dias, a TI autônoma pode ser a resposta.

Um bom exemplo disso é o financiamento do comércio. A Organização Mundial do Comércio* estima que até 80%1 do comércio mundial depende de financiamento. As operações exigem um número significativo de pessoal fisicamente localizado para processar um fluxo de trabalho amplamente baseado em papel, contando com equipes financeiras manuais e onipresentes para revisar e aprovar documentações. Isso tornou-se inviável durante a COVID-19, uma vez que as equipes foram forçadas a trabalhar a partir de uma variedade de locais durante a pandemia, atrasando e às vezes interrompendo a cadeia de financiamento do comércio. A dependência de cadeias de fornecimento mais longas e globais torna até mesmo as maiores empresas do mundo vulneráveis ao elo mais fraco da corrente.

O impacto da COVID-19 no financiamento do comércio forçará os bancos a digitalizar onde for possível e adotar o financiamento do comércio digital. Hoje, tecnologias como a blockchain já são utilizadas para simplificar práticas de comércio e substituir processos manuais e que envolvem muitos papéis no financiamento do comércio. Um exemplo é a Marco Polo*, o empreendimento conjunto entre a R3* e a TradeIX*, uma rede global focada em finanças de conta aberta oferecidas através de uma plataforma de financiamento de comércio distribuída. Ao conectar uma massa crítica de numerosas partes no ecossistema comercial, ela traz a tão necessária digitalização do financiamento do comércio como uma possibilidade real. Após a COVID-19, nós prevemos uma aceleração na jornada rumo ao financiamento do comércio entre máquinas e esperamos ver muitas empresas, bancos e prestadores de serviços terceirizados acompanhando e mudando para a adoção em massa em um dos maiores mercados financeiros globais.

"Uma reestruturação e reflexão sobre como construir uma infraestrutura de TI autônoma que possa funcionar, gerenciar e regenerar a si própria durante uma pandemia como esta será absolutamente necessário para uma futura resiliência", afirma Peiravi.

Embora já exista um certo nível de automação no setor financeiro, humanos ainda estão envolvidos no processo. Você pode chamá-la de TI autônoma com supervisão humana: se um humano virtual puder conectar e atuar virtualmente a partir de qualquer lugar do mundo, significa que humanos físicos podem ser liberados para focar em outras tarefas. Isso permite que organizações construam uma infraestrutura que seja o mais resiliente possível.

Para dar suporte ao conceito de TI autônoma, precisamos colocar o foco na padronização, automação e integração da inteligência em escala. Qualquer aspecto do design da infraestrutura deve apoiar esses princípios básicos, desde o acesso do usuário final até o desenvolvimento da aplicação e a operação da TI. Por exemplo, as VPNs que foram desenvolvidas para dar suporte a alguns milhares ou talvez dezenas de milhares de funcionários agora precisam dar suporte a números mais próximos de 200.000, seguindo a repentina mudança para o trabalho remoto generalizado. Esse tipo de escalamento rápido é um grande desafio.

A necessidade de construir uma infraestrutura de TI autônoma acelerará a adoção de AIOps, um termo originalmente cunhado por Gartner2. A AIOps envolve utilizar IA para analisar, realizar e atuar sobre operações de TI, permitindo a automação de processos de TI e do gerenciamento de sistemas. 

"Assim como a automação e a robótica transformaram o setor de fabricação, o aumento da automação em TI moldará o futuro do ambiente corporativo e o conjunto de habilidades da força de trabalho", diz Peiravi. "Com essas capacidades, as pessoas não precisam mais ir ao escritório necessariamente, de modo que a força de trabalho não precisa ser especificamente do local. O efeito dominó causado pela COVID-19 está criando um ambiente que será totalmente diferente nos aspectos culturais e organizacionais e ajudará a abrir as portas para mais inovações".

Para empresas de FSI implementarem a TI autônoma, elas precisam ter a abordagem e os processos certos em vigor, e é nesse ponto que DevOps, CI/CD (Integração Contínua/Entrega Contínua), SecOps, DataOps e ModelOps estão tornando-se uma parte integrada do sistema de TI. Além disso, o conceito de multicloud híbrida oferece a escalabilidade, flexibilidade e resiliência necessárias para dar suporte ao trabalho em qualquer lugar, a qualquer momento e com qualquer dispositivo.

Além do grande impacto no design da infraestrutura de TI no futuro, a atual pandemia também afetou o setor financeiro de outras maneiras. Com as pessoas saindo menos e preocupando-se mais com o fluxo de caixa, aplicativos móveis bancários estão cada vez mais populares. Na verdade, cerca de 6 milhões de pessoas no Reino Unido baixaram o aplicativo móvel de seus bancos pela primeira vez durante as semanas iniciais do isolamento do país devido à COVID-193. Com mais pessoas utilizando aplicativos de serviços bancários, isso provavelmente aumentará o uso da API e acelerará o conceito de banco aberto.

O pagamento por cartão sem contato e celular já é comum e foi acelerado pela COVID-19, uma vez que as pessoas evitam o uso de dinheiro físico e o potencial risco de infecção que isso apresenta. Por exemplo, um artigo recente da FT* destacou que as transações em caixas automáticos no Reino Unido caíram de 50 milhões (volume) em abril/maio de 2019 para 23 milhões em abril/maio de 2020. Como resultado, podemos esperar um aumento no uso das moedas digitais ou tecnologias semelhantes. Com isso em mente, a Intel desenvolveu capacidades de hardware e software que permitem o desenvolvimento de aplicações como moedas digitais baseadas em tecnologias de blockchain e está trabalhando ativamente com comunidades de código aberto como a Hyperledger*, fornecedores de software como a R3 e com a integradora de sistemas Accenture*.

Além de ter um grande impacto na maneira como trabalhamos no curto prazo, a COVID-19 deve desencadear uma transição acelerada para a digitalização e a adoção de novas tecnologias entre empresas de FSI. Embora essa mudança seja apresentada de várias maneiras, a transição da TI digital para a força de trabalho digital promete ser a grande tendência que observaremos nos próximos meses e anos.

Informações de produto e desempenho

1Organização Mundial do Comércio: financiamento do comércio e SMEs https://www.wto.org/english/res_e/booksp_e/tradefinsme_e.pdf
2Gartner, Aipos (Inteligência artificial para operações de TI): https://www.gartner.com/en/information-technology/glossary/aiops-artificial-intelligence-operations
3Seis milhões de pessoas baixaram o aplicativo móvel de seus bancos pela primeira vez durante o isolamento pelo Coronavírus: https://blog.nucoro.com/nucoro-research-6-million-people-download-banks-app